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O verdadeiro luxo que encontrei em Mônaco não estava nas vitrines

há 3 minutos
3 min de leitura

Uma reflexão sobre liberdade, segurança e o que nossas escolhas revelam sobre nós.



Gabriella Borghesi com vestido claro de renda Dolce Gabbana à beira-mar em Mônaco.

Mônaco é um lugar onde o luxo se apresenta de muitas maneiras. Nas vitrines, nos carros, nas joias, nos relógios de colecionador e nas bolsas raras que circulam pelas ruas.


Em minha segunda visita ao principado, observei novamente o refinamento das pessoas, a atenção à aparência e a naturalidade com que utilizavam objetos de valores extraordinários.


Mas, dessa vez, algo me chamou ainda mais a atenção.


Não foi aquilo que as pessoas possuíam. Foi a liberdade com que pareciam usufruir de suas escolhas.


Quando a liberdade muda a experiência


Em uma das noites da viagem, meu marido tinha um jantar de negócios e eu saí com algumas amigas.


Depois do nosso encontro, voltei sozinha, a pé, para o hotel onde estava hospedada.

Caminhei pelas ruas à noite, usando minhas joias, sem aquela preocupação constante com o que poderia acontecer. Lembro que cheguei ao hotel cantarolando.


Foi uma experiência aparentemente simples, mas que me fez pensar sobre algo que muitas vezes deixamos de perceber em nosso cotidiano.


Gabriella Borghesi subindo as escadas de Mônaco.

O quanto a sensação de segurança influencia nossa maneira de viver?


Quando precisamos avaliar constantemente se podemos usar determinado acessório, caminhar por uma rua ou frequentar um lugar, nossas escolhas passam a considerar não apenas aquilo que desejamos, mas também aquilo que tememos.


E isso não se limita ao vestir.


A percepção de segurança pode influenciar nossos comportamentos, nossas experiências e a disposição para explorar possibilidades.


A imagem não existe separada de quem somos


No meu trabalho com estratégia de imagem, observo como a aparência frequentemente é tratada como algo isolado, como se bastasse escolher determinadas roupas para construir uma identidade.


Mas a imagem é muito mais complexa.


Aquilo que vestimos pode comunicar preferências, valores, experiências e intenções.


Ao mesmo tempo, nossas escolhas são influenciadas pelo ambiente, pelas relações sociais, pelos sentimentos e pela maneira como percebemos o mundo ao nosso redor.

Gabriella Borghesi com roupa elegante em um jantar em Mônaco.

Nem toda escolha estética nasce exclusivamente de um gosto pessoal.


Às vezes, deixamos de usar algo porque não nos sentimos confortáveis. Em outras situações, porque não queremos chamar atenção. E, em determinados contextos, porque não nos sentimos seguros.


A aparência, portanto, não é apenas uma construção externa. Ela também participa da relação entre nossa experiência interior e o ambiente em que vivemos.


O que a psicologia nos ensina sobre autonomia


Os psicólogos Richard Ryan e Edward Deci, pesquisadores da Teoria da Autodeterminação, identificaram a autonomia como uma das necessidades psicológicas fundamentais para o bem-estar humano, ao lado da competência e do vínculo social.


Nessa perspectiva, autonomia não significa simplesmente fazer tudo o que se deseja, mas experimentar nossas ações como coerentes com nossos próprios valores e escolhas.


Os pesquisadores também destacam a importância das condições sociais para favorecer ou dificultar essa experiência.

Gabriella Borghesi caminhando pelas ruas de Mônaco.

Essa abordagem me faz pensar na relação entre liberdade e imagem pessoal.


Quando uma pessoa sente que pode escolher, experimentar e se apresentar de maneira coerente com aquilo que valoriza, sua relação com a própria imagem pode se tornar mais autônoma.


Por outro lado, quando o medo ou as pressões externas passam a orientar suas decisões, o espaço para essa expressão pode diminuir.


É importante reconhecer que a segurança física e a autonomia psicológica são conceitos diferentes. Ainda assim, minha experiência em Mônaco me levou a refletir sobre como as condições do ambiente podem ampliar ou restringir nossas possibilidades de escolha.


Afinal, o que é luxo?


Gabriella Borghesi com roupa azul marinho jantando no restaurante Le Grill, à beira-mar em Mônaco, com a vista para a Marina de Mônaco.

Não vejo problema em admirar uma peça rara, desejar uma joia ou reconhecer a beleza de um trabalho artesanal extraordinário.


A estética também é cultura, expressão e experiência.


Mas, naquela viagem, percebi que o valor de possuir algo pode ganhar outro significado quando existe a tranquilidade de usufruir daquilo que escolhemos.


De que adianta ter algo que amamos se não nos sentimos livres para usar?


Um dos maiores luxos da vida é poder ser, estar e se expressar com tranquilidade.
Gabriella Borghesi com vestido de linho marinho e bolsa ráfia Dolce Gabbana à beira-mar em Mônaco.

Talvez o luxo não esteja apenas naquilo que podemos adquirir, mas também nas condições que nos permitem viver nossas escolhas.


Voltei de Mônaco com uma reflexão. Para mim, o verdadeiro luxo em Mônaco foi poder caminhar à noite com tranquilidade, sem precisar vigiar o tempo todo o que acontecia ao meu redor ou me preocupar com o que eu estava vestindo.


E você, quando foi a última vez que percebeu essa liberdade em sua própria vida?




Referência bibliográfica

RYAN, Richard M.; DECI, Edward L. Self-determination theory and the facilitation of intrinsic motivation, social development, and well-being. American Psychologist, v. 55, n. 1, p. 68–78, 2000.


 
 
 

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