Transição de carreira e autoconhecimento: às vezes, é preciso se recolher para encontrar o caminho

Faz tempo que não escrevo por aqui. Desde a última postagem, em 2025, muita coisa aconteceu. Estudei, revi escolhas, descobri interesses e comecei a ocupar novos espaços. Nesse processo, precisei de momentos mais reservados para organizar os pensamentos e entender o caminho que queria seguir.
Hoje, ao retomar a escrita, percebo o quanto esses períodos de recolhimento fazem parte da minha história.
Minha trajetória profissional começou no Direito. Depois, empreendi em uma franquia de costura e vivi as responsabilidades de conduzir um negócio. Quando decidi vendê-la, escolhi dedicar mais tempo à maternidade e à família.
A gestão e a administração da nossa vida familiar e financeira continuaram sob meus cuidados, e permanecem até hoje. Mas, em determinado momento, senti vontade de voltar a construir uma atuação profissional fora de casa. Queria encontrar uma forma de compartilhar meus interesses e contribuir a partir das minhas experiências.
Foi assim que comecei a criar conteúdos sobre o Bem-Viver, apoiada em cinco pilares: Conhecimento, Cuidado, Combustível, Criatividade e Confiança.
O quinto pilar despertou uma curiosidade que me levou a outro caminho. Para mim, a confiança também se relaciona com a forma como nos colocamos no mundo e nos expressamos. Foi a partir desse interesse que decidi estudar Consultoria de Imagem.
Durante a formação, novas perguntas começaram a surgir. Eu queria compreender como captamos os estímulos visuais, como os processamos e como construímos interpretações a partir do que vemos. O que participa da percepção que temos de alguém? Como atribuímos significado à imagem?
Essas perguntas me aproximaram das neurociências e me levaram a iniciar uma pós-graduação. Aos poucos, os estudos passaram a se conectar com a minha prática e abriram espaço para uma experiência muito especial: começar a dar aulas sobre imagem e percepção visual.
Ensinar tem me convidado a organizar o conhecimento, aprofundar perguntas e tornar compreensível aquilo que venho estudando. Também tem me ajudado a reconhecer com mais clareza a contribuição que quero oferecer com o meu trabalho.
Contar essa trajetória em alguns parágrafos pode dar a impressão de que cada decisão veio acompanhada de uma certeza. Mas houve dúvidas, mudanças de direção e períodos em que precisei me recolher bastante.
Em alguns deles, me senti quase uma eremita. Precisei diminuir as vozes ao redor, estar menos presente em alguns espaços e respeitar o tempo de amadurecimento das minhas escolhas. Esse recolhimento foi importante para perceber o que ainda fazia sentido e o que precisava mudar.
Sei que nem sempre é confortável atravessar uma fase sem ter uma resposta pronta sobre o próximo passo. Eu também quis encontrar essas respostas mais depressa. Hoje, consigo reconhecer o valor do tempo que dediquei a procurá-las.
Retomo este blog com vontade de escrever a partir desse lugar: das vivências que me transformam, das perguntas que me movem e dos conhecimentos que venho construindo sobre imagem, percepção e comportamento.
Quero compartilhar um pouco mais dos meus estudos, mas também das reflexões que nascem quando eles encontram a vida cotidiana.
Este é um novo capítulo da minha história. E voltar a escrever é uma forma de começar a compartilhá-lo.
E você, já precisou se recolher por um tempo para compreender o caminho que queria seguir?
Transição de carreira e autoconhecimento | Gabriella Borghesi

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